Notas Quanto a Escrever Ficção Fantástica
3/05/2009Mesmo tendo H. P. Lovecraft falecido há mais de 7 décadas sua obra ainda faz sucesso e inspira centenas de autores. Segue um texto escrito por ele¹ - e traduzido por Renato Suttana - explanando os motivos e métodos que usava para escrever seus contos de ficção. E não exatamente “Ficção Fantástica”, como anuncia a tradução do artigo, mas um tipo específico de ficção fantástica - a Weird Fiction, que em tradução literal seria algo próximo de “Ficção Estranha”. Um subgênero que nasceu na década de 30 e o termo é usado desde 80 para descrever um tipo de ficção que mistura horror, fantasia e ficção científica.
Notas Quanto a Escrever Ficção Fantástica
por H. P. Lovecraft
A razão que encontro para escrever histórias é dar a mim mesmo a satisfação de visualizar mais clara, detalhada e estavelmente as vagas, fugidias, fragmentárias impressões de espanto, beleza e aventurosa expectativa que me vêm de certas visões (cênicas, arquitetônicas, atmosféricas, etc.), idéias, ocorrências e imagens encontradas na arte e na literatura. Escolho as histórias fantásticas porque melhor se enquadram com minha inclinação - sendo que um de meus desejos mais fortes e persistentes é alcançar, nem que por um instante, a ilusão de uma estranha suspensão ou violação das irritantes limitações do tempo, do espaço e das leis naturais que eternamente nos aprisionam e frustram nossa curiosidade acerca dos infinitos espaços cósmicos que jazem para além do alcance de nossa vista e poder de análise. Essas histórias freqüentemente enfatizam o elemento do horror, já que o medo é nossa emoção mais profunda e forte e uma das que melhor se prestam à criação de ilusões desafiadoras da natureza. O horror e o desconhecido ou estranho estão sempre intimamente conectados, a tal ponto que é difícil criar um quadro convincente de esfacelamento da lei natural ou alienação cósmica ou “exterioridade” sem acentuar a emoção do medo. A razão por que o tempo é tão fundamental em muitas de minhas narrativas reside em que esse elemento me aparece como a coisa mais profundamente dramática e terrível do universo. O conflito com o tempo me parece ser o tema mais potente e frutífero de toda a expressão humana.
What is wrong with a little destruction?
28/04/2009What is wrong with a little destruction é o Fotolivro que criei a partir de uma sessão de fotos que fiz com minha amiga Vanessa, há mais ou menos 1 ano atrás. O nome veio de um trecho da música The Fallen, da banda Franz Ferdinand. Eu recomendo que escutem a música antes, durante e depois de folhear essas páginas.
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A Dama na Neblina
13/04/2009
Em março de 2006 eu estava folheando um livro e vi uma linda ilustração de uma Nereida - uma espécie de Ninfa. Me deu vontade de escrever - e foi o que eu fiz.
Estava chovendo muito há uma semana e Dahren mal conseguia ver o sol através da grossa camada de nuvens, cinzentas e opressoras. Os pingos pesados e o vento forte gelado estavam sendo evitados pela grossa capa verde-musgo, que ele usaria de cobertor se estivesse seca. Apesar disso tudo, ele persistia em sua busca pelos bosques e florestas enevoados e lamacentos. Fixar a imagem de uma certa mulher em sua mente era o que fazia Dahren sempre avançar. Sua visão era turva quando ele a imaginava, como se as brumas a levassem, para longe, sobre a água. E ele se sufocava, em pânico por não poder se mexer e segurar a mão dela. Não podia se levantar ou correr, estava mergulhado, pesado, afundando. Iria se afogar, na respiração vinha água, e a mulher se afastava com um sorriso meigo e os braços abertos, de seios à mostra - aparentemente tão reconfortantes. Entretanto ele já estava morto.
